Bibliografia

Coleção Combates – nº 2 Neste período histórico dramático, marcado pelo genocídio do povo palestino e pela reconfiguração geopolítica global, Gaza: a última colônia do Ocidente surge como análise direta e incisiva das raízes e da natureza do sionismo. Amparado em amplo conjunto de fontes e por autores como Ilan Pappe, Abram Leon e Breno Altman, Samuel Braun propõe uma revisão radical dos mitos fundadores do Estado de Israel. Ao abordar a Antiguidade para separar as narrativas míticas de fundação da realidade arqueológica, o autor demonstra como a identidade hebraica foi forjada e, na sequência, transformada em identidade diaspórica. Avançando rumo à modernidade, Braun levanta as raízes materiais do antissemitismo europeu, sustentando que este não é mero preconceito religioso, mas produto das contradições do capitalismo. É nesse cenário que nasce o sionismo, não como resposta ao antissemitismo, mas como sua adaptação política: um nacionalismo que espelha a lógica excludente do imperialismo europeu e que, posteriormente, se apropria da tragédia do Holocausto para legitimar um novo projeto colonial. Outro foco do livro é expor a arquitetura da ocupação israelense, consolidada após a Guerra de 1967. A partir do conceito de “megaprisão”, Braun descreve como os territórios palestinos, em especial a Faixa de Gaza, foram transformados em um vasto sistema de encarceramento a céu aberto. Assim, a evolução desse controle é detalhada, desde a administração militar direta até a governança neoliberal implementada com os Acordos de Oslo, que, sob o manto de processo de paz, institucionalizou a dependência e a fragmentação; um modelo que configura um regime de apartheid, não apenas por meio de muros e checkpoints, mas por engrenagens legais, burocráticas e tecnológicas. A revelação das forças ideológicas que sustentam essa ordem também é uma parte importante do livro. Braun expõe como a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), em conjunto com o sionismo cristão e a direita global, promove uma ofensiva para criminalizar qualquer crítica a Israel, equiparando antissionismo a antissemitismo. Essa aliança, segundo o autor, busca sequestrar a memória do Holocausto, transformando-a em escudo moral para a contínua opressão do povo palestino. Para Braun, o sionismo não constitui um movimento de libertação nacional do povo judeu, mas sim a mais duradoura e sofisticada expressão do colonialismo europeu. “Descolonizar a memória” para romper com o ciclo de violência, restituir ao Holocausto seu significado universal de alerta contra a barbárie e reconhecer a Nakba palestina como um evento histórico central seriam essenciais para o horizonte de paz em um Estado único, democrático e laico.

Uma crítica contundente à mídia ocidental que expõe como a “imprensa livre”, há muito encarregada de dizer a verdade ao poder, tornou-se, em vez disso, uma parte vital da engrenagem que possibilitou o genocídio na Palestina.

Se você não escreve a verdade sobre crimes contra a humanidade, você é cúmplice deles.

A ativista e historiadora do Oriente Médio Assal Rad é conhecida como a “corrigidora de manchetes” por suas impactantes publicações que ilustram como a cobertura da mídia ocidental tradicional sobre o genocídio em Gaza é repleta de duplo padrão. Israelenses são descritos como “crianças” e “civis”, enquanto palestinos são “pessoas com menos de 18 anos” e “danos colaterais”; israelenses são mortos; palestinos morrem. Mesmo após o chamado cessar-fogo, os principais veículos de mídia ocidentais continuam a obscurecer a violência israelense na Palestina: por exemplo, a Associated Press noticiou que “as condições de vida em Gaza pioram à medida que ventos fortes e hipotermia matam 5 pessoas”. Não, corrige Rad: as condições de vida em Gaza pioram à medida que Israel bloqueia a ajuda.

Em “Não Diga Palestina”, Rad revela um padrão de linguagem desumanizadora — em veículos que vão da CNN e AP à BBC e ao The New York Times — tão consistentemente empregado ao longo do genocídio palestino que chega a ser uma política oficial. A grande mídia ocidental minimiza sistematicamente a responsabilidade de Israel, “alteriza” os palestinos e questiona princípios invioláveis ​​do direito internacional, como a santidade de hospitais e jornalistas em zonas de guerra. Esta obra inovadora e reveladora oferece tanto um acerto de contas moral quanto um apelo urgente à ação, mapeando com clareza devastadora a cumplicidade da mídia em encobrir uma crise de direitos humanos.

‘Cativante… uma leitura muito interessante e instigante’ – Alastair Campbell, co-apresentador do podcast The Rest Is Politics

‘Brilhante… este é um livro crucial, e era um livro que precisava ser escrito. Todos deveriam lê-lo’ – Owen Jones

‘Recomendo fortemente. Uma análise de dados impressionante que comprova a incitação ao genocídio perpetrada pela mídia liberal tradicional’ – Matthew Remski, coautor de Conspirituality

Enquanto bombas choviam sobre Gaza em outubro de 2023, imagens de morte e destruição em massa chocaram o mundo, e declarações abertamente genocidas de líderes israelenses prenunciavam a magnitude dos horrores que estavam por vir. Mas a mídia americana foi rápida em minimizar, obscurecer e reformular uma campanha de extermínio emergente em uma estrutura glamorosa de “guerra ao terror”.

Como Vender um Genocídio é uma denúncia completa do papel da mídia corporativa americana em permitir – e, às vezes, incitar diretamente – uma das campanhas de assassinato em massa mais devastadoras da história recente. Johnson desvenda como importantes veículos de comunicação, como o The New York Times, a CNN e a MSNBC, sistematicamente minimizaram os crimes de guerra de Israel, ocultaram o papel central dos EUA e desumanizaram o povo palestino.

Baseando-se em análises profundas e originais, fundamentadas em dados, Johnson disseca os mecanismos da propaganda, desde a empatia seletiva, omissões estratégicas, racismo explícito e repetição de falsidades sancionadas pelo Estado, até a demonização de trabalhadores humanitários e a cobertura desonesta de protestos em universidades. Com clareza e força moral, Johnson argumenta que a cumplicidade ativa e contínua da mídia americana está prolongando o genocídio.

Todos os direitos autorais do livro serão doados à Aliança para Crianças do Oriente Médio.

O Espinho e o Cravo, de Yahya Sinwar, é uma obra que explora a complexa realidade da Palestina sob o olhar de um líder envolvido com a resistência e o sofrimento do povo palestino. Através de uma narrativa que combina história, política e experiência pessoal, Sinwar reflete sobre o impacto da ocupação israelense e as estratégias de luta adotadas pelos palestinos. O título do livro simboliza a dualidade da situação: o “espinho” representa as adversidades e os obstáculos impostos pelo opressor, enquanto o “cravo” faz alusão à resistência firme e à esperança que persiste, apesar da opressão. A obra é uma reflexão profunda sobre os desafios da Palestina e o papel da resistência na busca por justiça e liberdade.

“Quando comecei a escrever este diário, imaginei que os livros e as palavras de Edward Said e a prosa poética de Mahmoud Darwish e Emile Habiby me bastariam para ter uma visão abrangente e aprofundada da situação na Palestina. Mas, quando fui mergulhando nas múltiplas interrogações da história, nos arquivos finalmente abertos, lidos e estudados, as narrativas começaram a causar dor, culpa, e me chocaram além de toda e qualquer proporção”. Um diário aberto: Palestina nasce dessa travessia intelectual e afetiva da artista Lena Bergstein em busca do conhecimento e da compreensão da chamada questão palestina. Gestado em anos de pesquisa, o livro consiste em uma investigação sensível e rigorosa da Nakba e dos acontecimentos que a antecederam, organizada em uma narrativa histórica que entrelaça testemunhos pessoais e reflexões poéticas sobre a dor da partida, a busca por um chão e um teto e a impossibilidade do retorno. Mais do que um libelo, esta obra é uma tentativa de construir “uma literatura que vá além do livro”, ao se confrontar com um passado e um presente que, no caso palestino, permanecem tragicamente indissociáveis.

Você deu em pagamento o meu país, primeira antologia poética de Ghayath Almadhoun publicada no Brasil, apresenta 31 poemas de um dos mais importantes nomes da poesia contemporânea. Por meio de um universo poético marcado por um virtuosismo vertiginoso, que desafia os limites do próprio livro, Ghayath Almadhoun transgride as fronteiras do poema, da nação, do corpo e até mesmo do espaço existente entre o orador e o leitor. Esquivando-se de se tornar refém do sentimentalismo, e, para isso, buscando refúgio no surrealismo face à mais cruel realidade, o poeta nos leva à Palestina, à Síria, à Alemanha e à Suécia, reafirmando o que está em jogo para aqueles que não conseguem sair de seus estados de aprisionamento e sugerindo-nos que a esperança nada mais é do que uma parte intrínseca do absurdo da violência. Ghayath Almadhoun subverte o lirismo e vira a metáfora pelo avesso para expor, transformar e confrontar. O poeta escreve: “… nus senão pelos nossos sangues e os restos carbonizados dos nossos corpos, pedimos desculpas a todos os olhos que não se atreveram a olhar diretamente para as nossas feridas para não ficarem arrepiados, e pedimos desculpas a todos que não conseguiram terminar o jantar depois de terem sido surpreendidos pelas nossas imagens frescas na televisão…”

Traduzidos diretamente do árabe por Alexandre Chareti, os poemas que integram a presente edição, traçam rotas sinuosas entre cidades, ideias, amantes, locais de refúgio, zonas de guerra, fusos horários e até mesmo a própria História. Apontado pelo Frankfurter Allgemeiner Zeitung como o poeta que encontrou uma linguagem lírica adequada à guerra civil síria e à situação palestina, a poesia de Ghayath Almadhoun nos prende desde a primeira linha através de uma emoção explosiva

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