DIDIER FASSIN – Moral Abdication , How the world failed to stop the destruction of GAZA

X March Bloch Etrange Defaite
Governos e elites do Ocidente apoiaram a destruição de Gaza, silenciando os palestinos e aqueles que falam em seu nome. Ao documentar os primeiros seis meses da guerra travada pelo exército israelense após os ataques de 7 de outubro e valendo-se de uma vasta gama de fontes internacionais, Didier Fassin examina como a maioria dos governos ocidentais anuiu — e muitas vezes contribuiu — para a destruição, pelo exército israelense, de Gaza, de suas casas, infraestruturas, hospitais, instituições de ensino e população civil. Para justificar seu apoio e evitar críticas, esses governos apresentaram uma versão oficial dos acontecimentos, adotando a narrativa israelense. Tal narrativa foi amplamente reproduzida pela grande mídia, que ignorou as experiências e perspectivas dos palestinos. Vozes dissidentes foram silenciadas. Impôs-se um controle sobre a linguagem e o pensamento. A censura e a autocensura tornaram-se normalizadas. Pedir um cessar-fogo ou exigir o respeito ao direito humanitário bastava para provocar a acusação — sempre pronta — de antissemitismo. Explorando as múltiplas dimensões da extrema desigualdade no valor atribuído às vidas de ambos os lados do conflito e analisando os complexos interesses geopolíticos, econômicos e ideológicos subjacentes, Fassin busca constituir um registro dessa abdicação moral. Em sua visão, o abandono dos valores e princípios que as elites ocidentais proclamam como fundamentais deixará uma cicatriz profunda na história mundial.

Ao longo das últimas décadas, a maior parte das sociedades se tornou mais repressiva, suas leis mais severas, seus julgamentos mais inflexíveis, e isso não tem correlação direta com a evolução da delinquência e da criminalidade. Neste livro, que trabalha com uma abordagem tanto genealógica quanto etnográfica, Didier Fassin se dedica a apreender os desdobramentos desse momento punitivo «(re)partindo» dos próprios fundamentos do castigo. O que é punir? Quem é punido? Por que se pune? Por meio dessas três perguntas, o autor engaja um diálogo crítico com a filosofia moral e a teoria jurídica. Ele mostra de modo notável, ao preenchê-lo com suas ilustrações de contextos históricos e nacionais variados, que a resposta ao crime não esteve sempre associada à inflição de um sofrimento, que o castigo não procede apenas de lógicas racionais que servem para legitimá-lo e que o aumento das penas frequentemente tem como resultado diferenciá-las socialmente, portanto, em aumentar as desigualdades. Ao contrário do populismo penal triunfante, este estudo propõe uma salutar revisão dos pressupostos que estimulam a paixão de punir e convida a repensar o lugar do castigo no mundo contemporâneo. «A princípio, diante das desordens que assolam uma sociedade, das violações de suas normas, das infrações às suas leis, seus membros optam por uma resposta sob a forma de sanções que parecem úteis e necessárias à maioria. O crime é o problema, o castigo é a solução. Com o momento punitivo, o castigo se transforma no problema»
X March Bloch Etrange Defaite

Hoje, estamos acostumados a ver psiquiatras sendo convocados para locais de ataques terroristas, desastres naturais, guerras e outros eventos trágicos para tratar o trauma psíquico das vítimas — mas nem sempre foi assim. A própria ideia de trauma psíquico surgiu apenas no final do século XIX e, por muito tempo, foi vista com desconfiança. *O Império do Trauma* conta a história de como a vítima de trauma se tornou cultural e politicamente respeitável, e de como o trauma em si se transformou em uma categoria moral inquestionável.
Baseando sua análise em uma ampla etnografia, Didier Fassin e Richard Rechtman examinam as políticas de reparação, testemunho e prova viabilizadas pelo reconhecimento do trauma. Eles estudam a aplicação da vitimologia psiquiátrica a vítimas dos atentados terroristas de 1995 em Paris e do desastre industrial de 2001 em Toulouse; o envolvimento da psiquiatria humanitária com palestinos e israelenses durante a Segunda Intifada; e a aplicação da psicotraumatologia do exílio a requerentes de asilo vítimas de perseguição e tortura.
Ao revelar como o trauma passou a validar o sofrimento das vítimas, *O Império do Trauma* oferece uma perspectiva crítica sobre algumas das questões morais e políticas em jogo no mundo contemporâneo.



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