UM DIA TODOS DIRÃO TEREM SIDO CONTRA
“Um dia, quando for seguro, quando não houver desvantagens pessoais em chamar algo pelo que ele é, quando for tarde demais para responsabilizar alguém, todos sempre terão sido contra isso.”
Acaba de sair a tradução do importante livro de Omar El Akkad
Nesta obra contundente e visceral, vencedora do National Book Awards de 2025, Omal El Akkad aponta o dedo para a indiferença do Ocidente e sua parcela de culpa com relação ao genocídio perpetrado em Gaza depois do ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, denunciando de forma mordaz, com conhecimento de causa, a hipocrisia e o preconceito vigentes, cúmplices da violência – inclusive a insititucional. Percorrendo de maneira não linear suas memórias, que abarcam desde seu nascimento no Egito, a infância no Catar e a mudança ainda na adolescência para o Canadá, passando por sua chegada à maioridade sob a sombra do 11 de Setembro e da Guerra ao Terror e seu trabalho jornalístico como correspondente no Afeganistão e no Iraque, até seu estabelecimento nos Estados Unidos como escritor renomado, o autor critica duramente o modo como as potências ocidentais, em especial o país onde hoje mora, enxergam os imigrantes muçulmanos e os árabes em geral, assim como os refugiados e os povos inseridos no contexto da colonização – todos aqueles que não estão enquadrados no âmbito do privilégio. Atacando tanto o fascismo redivivo da extrema direita quanto o liberalismo de esquerda (“seja ele o que for”), El Akkad procura indicar um caminho, uma ruptura com aquilo que parece estar estabelecido e que vem resultando em tantas atrocidades. A reunião desses elementos, analisados com acuidade poética, faz de Um dia todos dirão terem sido contra uma obra urgente e fundamental para quem deseja compreender os meandros sociopolíticos – e muitas das mazelas – do mundo em que vivemos, e também para quem anseia por transformações.


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Uma distopia na tradição de The handmaid’s tale… um romance magnífico e uma heroína que nos mostra uma possível visão do futuro… O ano é 2074. Uma guerra por combustíveis explode nos Estados Unidos após a desastrosa combinação de uma mudança climática ignorada pelos líderes mundiais e uma política conservadora e autoritária. Sarat Chestnut, nascida em Louisiana, é só uma menina de 6 anos quando o terror da guerra invade a sua casa. Tudo o que a envolve – a disputa pelos combustíveis, a cidade destruída e os drones que voam pelo céu – é um prelúdio para um horror maior: a morte de seu pai e a marcha do que sobrou de sua família para um campo de concentração. Mas é nesse lugar, influenciada por um estranho funcionário local, que Sarat se transforma em um instrumento mortal de guerra. Sarat se tornará a peça chave que moldará o futuro do planeta, não sem antes destruir a vida de muitas outras pessoas. Uma guerra americana é a história de uma nação contada da perspectiva extremamente particular de uma família, e das emoções e decisões desesperadas que são tomadas quando a prioridade é a sobrevivência. “Sem dúvidas, Uma guerra americana deve ser lido como um alerta.”The Independent


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