Bibliografia sobre ANTISSEMITISMO

A luta contra o antissemitismo é uma conquista inegociável da civilização. Mas o que ocorre quando a própria denúncia do ódio se torna uma arma política, usada para deslegitimar adversários e blindar governos contra críticas? Esta é a questão central e urgente que mobiliza os pensadores aqui reunidos.


Cunhado em 1879 na Alemanha, o termo “antissemitismo” se tornou fundamental para compreender o século XX e o extermínio de seis milhões de judeus coordenado pelo partido Nazista. Neste ensaio, calcado em rigorosa pesquisa, Mark Mazower traça a história da palavra para compreender seus usos atuais e as disputas políticas ao redor dela.
O preconceito — quando não o ódio — aos judeus é uma herança milenar, com motivações étnicas e religiosas. A palavra “antissemitismo”, que designa esse preconceito e o distingue de outras formas de discriminação, no entanto, possui uma história muito mais breve, tendo sido inventada no final do século XIX, em um contexto iluminista.
Antes atrelado às ações de uma extrema direita europeia e ao genocídio nazista, o termo agora se difundiu entre as pautas ideológicas que circundam os debates contemporâneos, perdendo contornos nítidos, e passou a ser usado para restringir especialmente críticas ao governo de Israel. Neste livro, o historiador britânico Mark Mazower rastreia não somente a etimologia do termo, mas sua centralidade para o entendimento do Holocausto, da identidade judaica e da formação do estado de Israel no pós-guerra, além de seus usos contemporâneos nos conflitos no Oriente Médio.

Como todo preconceito, o antissemitismo se manifesta de formas variadas, muitas delas sutis. Sua multiplicidade reflete as obsessões das diferentes épocas e ambientes culturais que o fomentam. No auge da perseguição antijudaica, desde o fim do século 19 até meados do século 20, foi um modo de pensar cientificista o que baseou a discriminação centrada no conceito pseudobiológico de raça. Muito antes, entre a Era Antiga e a Idade Média, exercia um peso maior o fato de o judaísmo se contrapor a cada uma das duas forças religiosas dominantes: cristianismo e, depois, islamismo. Já hoje, precisamente movimentos de contestação política, em tese comprometidos com a emancipação para a justiça, incentivam a associação da identidade judaica ao imperialismo. Walter Laqueur, colaborador por três décadas da Biblioteca Wiener para o Estudo do Holocausto e do Genocídio, delineia aqui este apanhado histórico – desenhando, com clareza e alcance nunca antes atingidos, a face mutável do antissemitismo.


As atrocidades nazistas transformaram-se num mito americano que serve aos interesses da elite judaica. O holocausto é uma indústria que exibe como vítimas o grupo étnico mais bem-sucedido dos Estados Unidos e apresenta como indefeso um país como Israel umas das mais formidáveis potências militares do mundo que oprime os não-judeus em seu território e em sua área de influência. O número de sobreviventes dos campos de concentração é exagerado para chantagear bancos suíços indústrias alemãs e países do Leste Europeu em busca de indenizações financeiras. A luta feroz por indenizações tem como efeito colateral insuflar o anti-semitismo na Europa. Israelenses e judeus americanos são hoje as grandes forças de opressão perseguindo palestinos e negros americanos.

Este livro nasceu do pavor diante do apoio crescente dado ao governo israelense por uma parte da comunidade judaica, de seus representantes oficiais ou auto-proclamados, e por numerosos intelectuais franceses, judeus ou não. Pavor também diante da u tilização cada vez mais sistemática, pelos mesmos, do tema do “crescimento do anti-semitismo” ou da “nova judeofobia”, para desqualificar qualquer crítica da política militar e colonial empreendida desde o final de 200 pelo governo de Ariel Sharon.

Publicar comentário