NAN GOLDIN condenando GENOCÍDIO na Palestina
No dia 22 de novembro de 2024, a fotógrafa e ativista americana Nan Goldin proferiu um discurso contundente na abertura de sua retrospectiva “This Will Not End Well” na Neue Nationalgalerie em Berlim. Em sua fala, ela acusou Israel de cometer genocídio em Gaza e no Líbano, criticou duramente a repressão cultural e a censura a vozes pró-palestinas na Alemanha, e questionou o ambiente político do país com a frase: “Vocês têm medo de ouvir isso, Alemanha?” [1, 2, 3, 4]
Principais Pontos do Discurso
- Revolta moral: Goldin afirmou que usaria a exposição como plataforma para amplificar sua indignação com as mortes em Gaza e no Líbano, iniciando o ato com um período de silêncio tanto para as vítimas palestinas e libanesas quanto para os civis israelenses mortos em 7 de outubro. [1, 2, 3]
- Crítica à censura na Alemanha: A artista denunciou que mais de 180 artistas, escritores e educadores teriam sido “cancelados” ou silenciados no país desde o início do conflito, muitas vezes por motivos banais como curtidas em redes sociais. [1, 2]
- Antissionismo versus Antissemitismo: Ela reiterou que equiparar a crítica ao Estado de Israel ao antissemitismo é uma equivalência falsa e uma arma usada para sufocar a liberdade de expressão. [1, 2, 3]
- Relação com a instituição: Goldin apontou que o museu tentou separar sua arte de seu ativismo político, mas defendeu que, no contexto atual, sua voz e seu posicionamento público são inseparáveis de sua identidade como criadora
Discurso de artista sobre Gaza irrita políticos em Berlim
24/11/202424 de novembro de 2024
Fotógrafa americana Nan Goldin, que tem origem judaica, acusou Israel de “genocídio em Gaza e no Líbano” ao discursar na abertura de exposição na Neue Nationalgalerie. “Você tem medo de ouvir isso, Alemanha?”


Público lotou o museu para ouvir discurso de Nan Goldin. Diretor Klaus Biesenbach, que falou depois, mal conseguiu se fazer ouvir diante dos gritos da plateia
De passagem por Berlim para inaugurar uma exposição, a fotógrafa americana Nan Goldin, de 71 anos, acusou Israel de cometer “genocídio em Gaza e no Líbano” e afirmou que criticar o Estado judaico não é antissemitismo.
“Decidi usar esta exposição como plataforma para amplificar minha posição de revolta moral com o genocídio em Gaza e no Líbano”, disse Goldin na última sexta-feira (22/11), durante a abertura de “This Will Not End Well” (isso não vai acabar bem, em tradução livre) na Neue Nationalgalerie.
Goldin, que tem origem judaica e é uma das mais renomadas artistas na fotografia contemporânea, lembrou o processo aberto contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ), que apura crime de genocídio contra palestinos. Preocupações nesse sentido também foram externadas pelas Nações Unidas e pelo papa Francisco, que ela citou em sua fala.
“E, ainda assim, não deveríamos chamar isso [a ofensiva israelense] de genocídio. Você tem medo de ouvir isso, Alemanha?”, indagou. O questionamento, ao mesmo tempo em que alude aos 6 milhões de judeus que o nazismo assassinou durante a Segunda Guerra Mundial, é também uma crítica à forma como as autoridades do país têm reagido a protestos pró-palestinos.
A Alemanha contemporânea assumiu um compromisso de Estado com o direito de defesa de Israel e a proteção da vida judaica. Mas críticos como Goldin afirmam que a reação do país às reverberações do conflito em seu próprio território tem ajudado a alimentar o ódio antissemita.
“Antissionismo não tem nada a ver com antissemitismo”, insistiu Goldin. O termo, segundo ela, foi esvaziado e estaria sendo instrumentalizado pelo governo alemão contra a comunidade palestina e aqueles que se solidarizam com ela. “Ao declarar toda crítica a Israel como antissemita, isso torna mais difícil definir e fazer cessar o ódio violento contra judeus. Estamos menos seguros.“
“Meus avós fugiram dos pogroms na Rússia. Fui criada sabendo do Holocausto nazista. O que vejo em Gaza me lembra os pogroms dos quais meus avós escaparam”, afirmou. “O que você aprendeu, Alemanha? […] ‘Nunca mais’ significa ‘nunca mais’ para todos”, acrescentou, referindo-se à guerra em Gaza como o primeiro “genocídio com transmissão ao vivo”.
Citando um clima de repressão na Alemanha contra o setor cultural desde a eclosão do conflito, Goldin disse que o discurso dela era um teste para saber se um artista do calibre dela poderia expressar suas visões políticas sem ser cancelada. E que, se esse fosse o caso, ela esperava “abrir o caminho” para que outros artistas possam fazer o mesmo.
Como a guerra em Gaza divide a cena cultural
Netanyahu é alvo de mandado de prisão
Os comentários de Goldin foram feitos um dia depois de o Tribunal Penal Internacional (TPI) expedir um mandado de prisão contra o premiê israelense Benjamin Netanyahu e o ex-ministro israelense de Defesa Yoav Gallant, para que respondam a acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
O mandado de prisão não é um veredito, e sim um sinal de que o TPI – órgão da ONU que, diferentemente da CIJ, processa apenas indivíduos, e não países – leva a sério as acusações a ponto de investigá-las.
De acordo com seu próprio portal de internet, o TPI somente emite mandados de prisão se os juízes julgarem necessário para assegurar que a pessoa vai comparecer ao julgamento. O mandado também pode ser emitido para evitar que o acusado atrapalhe a investigação ou o processo, e que cometa novos crimes.

Políticos e líderes culturais se distanciam de discurso
O diretor da Neue Nationalgalerie, Klaus Biesenbach, discursou logo após Goldin, mas mal conseguiu se fazer ouvir diante dos gritos de parte da plateia. A polícia interveio e, posteriormente, ele repetiu sua fala. Nela, reafirmou o direito de Israel de existir e lembrou que o conflito começou com o atentado terrorista de 7 de outubro contra Israel, mas também pediu empatia pelo sofrimento de civis em Gaza.
Posteriormente, Biesenbach divulgou um comunicado em que dizia que o museu se distanciava das visões de Goldin, mas que defendia a “liberdade de expressão e o diálogo e interação respeitosos”.
A ministra alemã da Cultura, Claudia Roth, reagiu ao discurso de Goldin acusando a artista de propagar “visões políticas insuportavelmente unilaterais”, e que estava “chocada” com a forma com que o público presente ao evento sufocou o discurso de Biesenbach na base do grito.
Roth, contudo, descartou boicotes e disse torcer por um debate civilizado e aberto.
O ministro estadual da Cultura, Joe Chialo, também acusou Goldin de “parcialidade” e “amnésia histórica”.
Hermann Parzinger, presidente da Fundação do Patrimônio Cultural Prussiano, entidade que administra a Neue National Galerie, também criticou o discurso de Goldin, afirmando que ele “não corresponde à nossa concepção de liberdade de expressão”.
ra (AP, dpa, DW, ots)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nan_Goldin
Nan Goldin (Washington, D.C., 12 de setembro de 1953) é uma fotógrafa americana conhecida por seu trabalho artístico sobre corpos LGBT, momentos de intimidade, a crise do HIV e a epidemia de opioides. Sua obra mais notável é The Ballad of Sexual Dependency (1986), que documenta a subcultura gay pós-Stonewall e sua família e amigos. Ela vive e trabalha em Nova York, Berlim e Paris.[1][2][3]
Biografia
Nan Goldin cresceu em uma familia judia de classe média alta em Boston, Massachusetts. Em 1968, um professor da escola em que estudava, a Satya Community School, introduziu-a à câmera fotográfica; Goldin tinha quinze anos de idade. Sua primeira mostra solo, realizada em Boston em 1973, foi baseada em suas jornadas fotográficas através das comunidades gays e transexuais da cidade, introduzida no meio pelo amigo David Armstrong. Goldin graduou-se na School of the Museum of Fine Arts, Boston/Tufts University em 1977/1978, onde trabalhou na maioria com impressões através do processo de Cibachrome.[3]
Depois de se formar, Goldin mudou-se para Nova Iorque e começou então a documentar o cenário new-wave pós-punk, simultaneamente à subcultura gay no final da década de 1970 e começo da década de 1980.
Obra
Livros por Nan Goldin
- The Ballad of Sexual Dependency. New York: Aperture, 1986. ISBN 978-0-89381-236-2.
- Cookie Mueller (exhibition catalogue). New York: Pace/MacGill Gallery, 1991.
- The Other Side. Perseus Distribution Services, 1993. ISBN 1-881616-03-7.
- Vakat. Cologne: Walter Konig, 1993.
- Desire by Numbers. San Francisco: Artspace, 1994.
- A Double Life. Zurich: Scalo, 1994.
- Tokyo Love. Tokyo: Hon don do, 1994.
- The Golden Years (exhibition catalogue). Paris: Yvon Lambert, 1995.
- I’ll Be Your Mirror (exhibition catalogue). Zurich: Scalo, 1996. ISBN 978-3-931141-33-2.
- Love Streams (exhibition catalogue). Paris: Yvon Lambert, 1997.
- Emotions and Relations (exhibition catalogue). Cologne: Taschen, 1998.
- Ten Years After: Naples 1986–1996. Zurich: Scalo, 1998. ISBN 978-3-931141-79-0.
- Couples and Loneliness. Tokyo: Korinsha, 1998.
- Nan Goldin: Recent Photographs. Houston: Contemporary Arts Museum, 1999.
- Nan Goldin. 55, London: Phaidon, 2001. ISBN 978-0-7148-4073-4.
- Devils Playground. London: Phaidon, 2003. ISBN 978-0-7148-4223-3.
- Soeurs, Saintes et Sibylles. Editions du Regard, 2005. ISBN 978-2-84105-179-3.
- The Beautiful Smile. First edition. Göttingen: Steidl, 2008. ISBN978-3-86521-539-0.
- 2nd edition. Göttingen: Steidl, 2017. ISBN 978-3-95829-174-4.
- Variety: Photographs by Nan Goldin. Skira Rizzoli, 2009. ISBN 978-0-8478-3255-2.
- Eden and After. London: Phaidon, 2014. ISBN 978-0714865775.
- Diving for Pearls. Göttingen: Steidl, 2016. ISBN 978-3-95829-094-5.



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